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e para voc� � um completo mist�rio o fato de Jornada nas Estrelas ter crescido de um seriado fracassado dos anos 60 a um verdadeiro �cone da cultura contempor�nea, esse � um bom lugar para come�ar a procurar as respostas. Tenha um panorama r�pido das aventuras e desventuras pelas quais Jornada passou at� se tornar o verdadeiro gigante do entretenimento que � hoje. S�o quase 40 anos de hist�ria compactados em um texto.   

   


 









 

 

 

 

 

 

 

 


Jornada nas Estrelas (Star Trek) foi a primeira tentativa de fazer fic��o cient�fica s�ria com personagens fixos da hist�ria da televis�o americana. Antes dela, uma outra s�rie de fic��o j� fazia grande sucesso, "The Twilight Zone" (conhecida no Brasil como "Al�m da Imagina��o"), mas era de natureza antol�gica -- uma cole��o de hist�rias sem personagens fixos, exceto pelo apresentador (que era o pr�prio criador da s�rie, Rod Serling).

A id�ia b�sica por tr�s do seriado era bem simples: as aventuras da galante tripula��o de uma nave espacial terrestre nos confins do espa�o, em algum ponto do futuro (que acabou, posteriormente, sendo definido como meados do s�culo 23). Os humanos estariam em situa��o muito melhor que a atual, e a Terra seria um para�so, sem conflitos, guerras ou problemas sociais. Restaria aos terr�queos apenas a busca pelo desconhecido, novos mundos e civiliza��es, como forma de aprimorar ainda mais sua sociedade e seu conhecimento. 

O conceito da s�rie foi desenvolvido no in�cio dos anos 60 por Gene Roddenberry, um homem que conhecia bem as piores facetas da humanidade, tendo sido ex-piloto de avi�es (militar e depois civil) e ex-policial. Seu sonho sempre foi o de se tornar escritor, e come�ou a se realizar durante o per�odo em que esteve no Departamento de Pol�cia de Los Angeles. Gene come�ou a escrever alguns roteiros policiais para TV, usando sua experi�ncia pessoal como fonte de hist�rias, e o sucesso acabou levando-o a deixar a pol�cia e a se tornar um conceituado escritor de televis�o, eventualmente atingindo o status de potencial criador de pilotos para novas s�ries. Jornada foi a segunda s�rie que Gene conseguiu vender (a primeira havia sido o seriado policial "The Lieutenant", que durou apenas uma temporada).

O projeto foi comprado pela Desilu, um est�dio ent�o em fase de decad�ncia depois do enorme sucesso obtido nos tempos de "I Love Lucy". O objetivo da empresa era usar Jornada como uma forma de recuperar o prest�gio. Com um est�dio j� convencido a trabalhar no projeto, Gene Roddenberry precisava vender a id�ia a uma rede de televis�o, que bancaria a empreitada e exibiria o programa. Acabou conseguindo convencer a NBC de que Jornada nas Estrelas era uma id�ia realiz�vel, o que levou � produ��o de um piloto, em 1964.

Esse primeiro epis�dio, chamado hoje de "The Cage" (embora o t�tulo da �poca fosse "The Menagerie", a Paramount decidiu cham�-lo de "The Cage" para n�o confundir com o epis�dio da S�rie Cl�ssica que ganhou o nome original do piloto), tinha uma tripula��o atualmente pouco conhecida, encabe�ada pelo famoso ator Jeffrey Hunter (protagonista do filme "Rei dos Reis", interpretando Jesus Cristo) como o capit�o Christopher Pike. Do elenco que acabaria se fixando na s�rie, apenas Leonard Nimoy, como o alien�gena Spock, estava presente.

Os executivos da NBC gostaram do piloto, mas acabaram recusando-o, ao alegar que ele era inteligente demais para a supostamente med�ocre audi�ncia de televis�o. Normalmente, quando um piloto � vetado pela rede, acaba o sonho de se realizar a s�rie. Mas, num ato sem precedentes, a NBC, em vez de engavetar a id�ia, decidiu encomendar um segundo piloto.

Uma nova hist�ria foi produzida em 1965: "Where No Man Has Gone Before". Jeffrey Hunter e seu Pike, um dos poucos personagens n�o vetados pela NBC, n�o quiseram retornar. William Shatner foi contratado para viver o novo capit�o, James T. Kirk. Com mais a��o, o segundo piloto foi capaz de convencer a rede a encomendar uma temporada.

O primeiro ano da s�rie foi exibido em 1966-1967, destacando as aventuras de uma nave da Frota Estelar em pleno s�culo 23, a USS Enterprise, e sua tripula��o, composta por Kirk, Spock, o m�dico de bordo Leonard McCoy (DeForest Kelley), o engenheiro Montgomery Scott (James Doohan), o timoneiro Sulu (George Takei) e a oficial de comunica��es Uhura (Nichelle Nichols). O navegador russo Pavel Chekov (Walter Koenig) s� iria se juntar � trupe na temporada seguinte.



A s�rie rapidamente recebeu aclama��o nos c�rculos da fic��o cient�fica e reuniu um grupo de f�s fervorosos. Grandes escritores liter�rios do g�nero, como Harlan Ellison e Theodore Sturgeon, redigiram epis�dios para a s�rie. Mas o programa falhou em sua miss�o principal: arregimentar um p�blico grande o suficiente para manter a exibi��o na NBC. Campanhas sucessivas de cartas dos f�s conseguiram sustentar a s�rie por tr�s temporadas, mas em 1969 a NBC estava decidida a cancelar o projeto.

Um ano depois, o instituto Nielsen, respons�vel pelas medi��es de audi�ncia da TV americana, iria mudar sua metodologia de trabalho, classificando a audi�ncia de acordo com o tipo de p�blico que cada programa atingia. Com isso, a NBC fez a infeliz descoberta de que o cancelamento de Jornada havia sido um erro: o programa n�o tinha uma audi�ncia estupenda, mas atingia exatamente o p�blico que a rede queria -- jovens adultos do sexo masculino, com bom poder aquisitivo.

Paralelamente, a Paramount Pictures (que havia comprado a Desilu em 1968 e dado continuidade � produ��o de Jornada) estava fazendo dinheiro vendendo os epis�dios da s�rie para reprises em esta��es locais de TV em todos os EUA. Logo ficou claro que Jornada nas Estrelas estava se tornando uma mania. Conven��es come�aram a ser organizadas nos anos 1970, lotando audit�rios com pessoas �vidas por rever seus epis�dios favoritos e ouvir as pessoas que fizeram parte da produ��o do programa.

A NBC come�ou a achar que precisava de algum modo reviver Jornada nas Estrelas. E foi o que eles fizeram, quando chamaram Gene Roddenberry para conversar. Discutiu-se rapidamente a possibilidade de restaurar o programa original, mas a decis�o final foi de produzir uma s�rie de desenhos animados -- mais barata e voltada para o p�blico infantil.

A S�rie Animada decolou em 1973, produzido pelo est�dio Filmation, que mais tarde faria cl�ssicos da anima��o televisiva como "He-Man" e "She-Ra", e exibido pela NBC aos s�bados de manh�. Apesar das limita��es t�cnicas e da redu��o do tempo dos epis�dios dos 51 minutos da �poca da s�rie filmada para apenas 23 minutos, o programa mais uma vez se tornou sucesso de cr�tica. E, mais uma vez, n�o teve p�blico suficiente para mant�-lo no ar. Os epis�dios claramente eram muito desenvoltos para uma s�rie infantil. O desenho resistiu por duas temporadas e 22 epis�dios, antes de ser cancelado.



Ainda assim, a Paramount viu em Jornada nas Estrelas um enorme potencial para ganhar dinheiro -- e estava decidida a explorar totalmente aquela rec�m-descoberta mina de ouro. Primeiro, os executivos pensaram em produzir um filme de baixo or�amento, mas nenhum roteiro adequado acabou aparecendo. Depois decidiram recriar a s�rie de televis�o com o mesmo elenco, mas novos cen�rios e valores de produ��o, numa ousada tentativa de criar uma quarta rede nacional de televis�o (na �poca s� havia tr�s, NBC, CBS e ABC).

Sob a batuta do criador Gene Roddenberry, em 1977 treze roteiros chegaram a ser escritos para a nova s�rie, que se chamaria Jornada nas Estrelas: Fase II (Star Trek: Phase II), antes que a Paramount desistisse dos planos de criar uma rede de TV e transformasse o projeto em "Jornada nas Estrelas: O Filme" ("Star Trek: The Motion Picture"). A produ��o, tamb�m comandada por Gene Roddenberry, com dire��o do aclamado Robert Wise (o mesmo diretor de "A Novi�a Rebelde" e "O Dia em que a Terra Parou"), estourou todos os or�amentos e quase n�o terminou no prazo. Mas logo que estreou, em 1979, tornou-se um enorme sucesso de bilheteria, levando o est�dio a imediatamente cogitar uma continua��o.

Uma coisa entretanto estava clara: Roddenberry n�o era um bom produtor de cinema. Harve Bennett foi contratado para tomar as r�deas de "Jornada nas Estrelas II: A Ira de Khan" ("Star Trek II: The Wrath of Khan", de 1982), e o criador da s�rie foi convertido em mero consultor. Bennett conseguiu economizar cada tost�o, fazendo o filme mais lucrativo da hist�ria da franquia, e um dos mais aclamados pelo p�blico e pela cr�tica. O �nico sen�o era a morte do personagem Spock, evento que causou in�meros protestos entre os f�s.

Mas a Paramount se sentiu muito feliz quando esses mesmos f�s "clamaram" por "Jornada nas Estrelas III: � Procura de Spock" ("Star Trek III: The Search for Spock", de 1984) para reviver o personagem. Como novidades, o filme promovia a destrui��o da Enterprise e trazia Leonard Nimoy em sua estr�ia como diretor de cinema.



Nimoy fez um bom trabalho e foi chamado de volta para dirigir "Jornada nas Estrelas IV: A Volta Para Casa" ("Star Trek IV: The Voyage Home"), em que Kirk e cia. voltam ao s�culo 20 para resgatar duas baleias para salvar a Terra de uma sonda alien�gena que tentava fazer contato com os animais, j� extintos no s�culo 23. O filme simplesmente se tornou a maior bilheteria nos EUA da hist�ria dos filmes de Jornada, quando estreou, em 1986.

A esta altura, estava muito claro que Jornada nas Estrelas era uma mina de ouro praticamente inesgot�vel para a Paramount. O est�dio resolveu ent�o inovar e aproveitar a comemora��o dos 20 anos da s�rie original para anunciar a produ��o de um novo programa de televis�o: Jornada nas Estrelas: A Nova Gera��o (Star Trek: The Next Generation). Com uma nova tripula��o, encabe�ada pelo capit�o Jean-Luc Picard (Patrick Stewart), o primeiro-oficial William Riker (Jonathan Frakes) e o andr�ide Data (Brent Spiner), e uma nova Enterprise, viajando um s�culo depois das viagens de Kirk e cia., Roddenberry foi chamado de volta � cadeira de comando de uma s�rie de TV.



A Nova Gera��o estreou nos EUA em 1987, com uma outra inova��o: a exibi��o em car�ter de syndication (a venda do programa diretamente �s esta��es locais, sem uma rede nacional que o sustentasse). O sistema � bem comum para programas que j� foram uma vez exibidos por uma rede, mas era totalmente inusitado produzir epis�dios in�ditos de uma s�rie para serem exibidos nesse sistema.

Apesar disso, A Nova Gera��o foi um sucesso absoluto, arregimentando uma base de audi�ncia bastante ampla e abrindo caminho para v�rios outros programas de fic��o cient�fica que surgiriam depois, como "Arquivo-X", "Babylon 5", "Terra: Conflito Final", "Farscape", "Andromeda" e outros.

Enquanto isso, no cinema as coisas continuavam bem. William Shatner teve sua chance de dirigir um filme com "Jornada nas Estrelas V: A �ltima Fronteira" ("Star Trek V: The Final Frontier"), em 1989, que, apesar do fraco resultado em termos de qualidade e bilheteria, levou � derradeira aventura da s�rie original nas telonas, "Jornada nas Estrelas VI: A Terra Desconhecida" ("Star Trek VI: The Undiscovered Country"), em 1991.

No mundo da TV, A Nova Gera��o estava indo muito bem, mas n�o seu criador. Gene Roddenberry estava com a sa�de cada vez mais debilitada, e o produtor come�ou a transferir suas responsabilidades para Rick Berman. Em 1991, com a morte de Roddenberry e o fim da s�rie de filmes da s�rie original, Berman assumiu o comando total da franquia, coordenando as produ��es de cinema e TV.

Preparando a transfer�ncia da tripula��o de A Nova Gera��o para as telas de cinema, para assumir o lugar vago deixado pelos atores cl�ssicos, Berman e a Paramount decidiram criar uma terceira s�rie de TV, com uma nova tripula��o. Desta vez, entretanto, a a��o iria se passar a bordo de uma esta��o espacial nos confins da gal�xia e tudo aconteceria na mesma �poca em que a turma da Nova Gera��o vivia.

Berman convocou o escritor Michael Piller, respons�vel pela bem-sucedida cria��o de uma "cara" diferenciada para A Nova Gera��o com rela��o ao seriado original, para desenvolver a s�rie com ele. Em 1993, o projeto chegaria �s telinhas, com o nome de Jornada nas Estrelas: Deep Space Nine (Star Trek: Deep Space Nine).



Pela primeira vez destacando um protagonista negro na hist�ria da franquia, Deep Space Nine estreou com �ndices arrebatadores de audi�ncia (at� hoje det�m o recorde em Jornada nas Estrelas, obtido com o piloto "Emissary"), mas o fato de ter sido exibida enquanto A Nova Gera��o ainda estava no ar acabou iniciando um processo de eros�o da audi�ncia.

Em 1994, A Nova Gera��o deixou as telinhas para imediatamente ter sua primeira aventura no cinema. O filme "Jornada nas Estrelas: Generations" (Star Trek: Generations) reuniu a tripula��o de Picard a James T. Kirk, em sua derradeira aventura. Apesar do anticl�max do final, em que Kirk � morto, o filme foi bem-sucedido em pavimentar o caminho para mais uma continua��o cinematogr�fica.

Enquanto isso, a Paramount resolveu tirar da gaveta aquele velho projeto de criar uma nova rede de televis�o. Para tanto, o est�dio queria mais um seriado de Jornada como carro-chefe. Em 1995, nascia Jornada nas Estrelas: Voyager (Star Trek: Voyager), s�rie tamb�m ambientada em �poca contempor�nea � da Nova Gera��o e que contava a hist�ria de uma nave, capitaneada por uma mulher, atirada para o outro lado da gal�xia por uma for�a desconhecida. Isolada, sua �nica miss�o passaria ser a de sobreviver e voltar para casa, o que deveria consumir mais de 70 anos de viagem.



Diferentemente de A Nova Gera��o e Deep Space Nine, que eram exibidas em regime de syndication, Voyager foi para essa nova rede da Paramount, a UPN. A fraca infraestrutura da institui��o, entretanto, aliada ao desgaste da marca Jornada nas Estrelas, saturada pelos in�meros produtos e spin-offs, fizeram com que Voyager mostrasse um s�lido e constante decl�nio na popularidade da franquia.

No cinema, entretanto, as coisas ainda andavam bem. Em 1996, chegava �s telonas a segunda aventura da Nova Gera��o, "Jornada nas Estrelas: Primeiro Contato" ("Star Trek: First Contact"). O filme se tornou um espetacular sucesso de bilheteria, o que acabou conduzindo a "Jornada nas Estrelas: Insurrei��o" ("Star Trek: Insurrection"), em 1998. Mas naquele ponto a marca j� estava desgastada demais para sustentar um grande p�blico, e a qualidade tamb�m n�o ajudou. O décimo longa, "Nêmesis", de 2002, seguiu o mesmo caminho e fracassou nas bilheterias.

Apesar da ladeira da franquia, tanto Deep Space Nine quanto Voyager atingiram a marca da Nova Gera��o, tendo sete temporadas produzidas. Em 2001, era hora de criar uma quinta s�rie com atores para substituir Voyager na UPN. Nascia Enterprise, uma prequel que contava as aventuras da primeira Enterprise, cem anos antes da nave de Kirk. Para comandar o elenco foi contratado Scott Bakula, ator j� famoso por seu papel na s�rie sci-fi "Quantum Leap".



A série durou 4 temporadas, sendo encerrada em maio de 2005. Durante seus três primeiros anos, esteve um pouco perdida, preferindo enfocar mais um assunto criado para a ocasião, como a Guerra Fria Temporal, ou um ataque que quase dizimou a Terra efeutado pela raça Xindi. Porém, a partir de sua quarta temporada, temas oriundos da Série Clássica foram explorados e Enterprise se despediu com dignidade.

Após o término de Enterprise, os fãs se encontram num hiato entre produções que deverá durar alguns anos. É hora de aproveitar para rever esses 40 anos de Jornada, sempre em busca de algo que ainda não tenha sido totalmente explorado em seus mais de 700 episódios e 10 filmes para cinema.